sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Fenômeno é o Obina!

A infame frase de que “futebol não tem lógica” não tem lógica alguma, não faz o mínimo sentido, não condiz com a realidade pelo simples fato de que futebol tem lógica sim. Apenas tenho sido tolerante com os místicos da bola porque vez ou outra – talvez por causa do alinhamento dos planetas, ou por causa da sincronia dos astros –, em pontuais momentos, a lógica, realmente, desaparece das quatro linhas e tamanho é o encanto que, sem cerimônias, dou boas-vindas à magia, digo sim ao misticismo.

No jogo desta noite, contra o Goiás, providencial e divino, eis que surge Obina, gigante, monstruoso, destruindo em campo: 3 gols e elegantemente um passe de calcanhar para outro gol na partida, ou seja, 3 gols e meio para o Obina, Palmeiras 4 a 0 no alviverde do Cerrado.

Partindo do imprescindível aparato racional, motivos de sobra haviam para se acreditar que não seria jogo fácil, já que o Porco vem de uma série de resultados muito ruins, a ponto de permitir que o perigoso São Paulo se aproxime, sentindo o leve sabor da ponta da tabela. Como se não bastasse, mesmo, a priori, ao ouvir o nome Obina na escalação dos titulares, honestamente, pela lógica, não faria diferença alguma.

Obina, com tão impecável e avassaladora apresentação, além de dar ao seu time oxigênio a mais, sem sair do 1º lugar, traz de volta a auto-estima ao Palestra Itália, incentivando o grupo para as poucas e decisivas rodadas que ainda faltam para levar o título.

O que se viu em irrisórios 90 minutos – um desfile no toque de bola, frieza incomum para fazer gols – não tem, não pode ter relação alguma com este planeta, inverte a gravidade do ar, desfaz a teoria da relatividade. Tanta categoria num só Obina, em tão curto espaço de tempo, serve para ratificar a ideia de que para toda regra uma exceção.

Porque creio que deve estar cada coisa em seu lugar – cada um no seu quadrado –, façamos uma campanha para que o redondo Ronaldo (que há algum tempo só assusta dono de churrascaria de rodízio) passe o famoso e, hoje, descabido apelido para o divino, providencial Obina, este sim um Fenômeno. Obina escapa à lógica.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Quando naftalina vira perfume.

Sim, o Bahia venceu. Mais uma. E há de perdurar durante longos e intermináveis dias na cidade do São Salvador o insuportável cheiro de naftalina. Porém, se tornará normal, um tanto comum ao ponto de agradar, que os olfatos sejam invadidos pela forte fragrância que exalará das tantas camisas tricolores passeando por becos, prédios, vilas, bares, igrejas, avenidas e semáforos.

Certo é que ser humano a tudo se adapta, acostuma-se. Talvez tenha isso lá alguma relação com nosso instinto mais primitivo, o tal mérito referente à questão do habitat e a maneira pela qual nós nos adaptamos a ele, ou o adaptamos. Inegável que torcedores do Bahia lunáticos andam em alta, sobram. Porém, há de exalar por toda cidade a naftalina dos poucos mas significativos torcedores conscientes, desiludidos.

Estes hoje, após o fenomenal triunfo sobre o Atlético-Go – que desfila no G-4 desde sempre –, a surpreendente virada sobre o Paraná, lá dentro, e a fundamental vitória sobre o São Caetano – que vinha em boa fase, ascendendo –, sentem-se muito à vontade de impregnar ambientes de trabalho e logradouros diversos com a impositiva presença da naftalina.

De fato, o Bahia assusta, primeiro porque não há indícios de três vitórias seguidas nas rodadas anteriores, e porque mesmo com esta desequilibrada defesa o time do cabelo de tia velha do Sérgio Guedes consegue fazer mais gols do que tomar, algo que, até o momento, vem invertendo a lógica, pois sabe-se que a tendência é que uma má defesa costuma contribuir mais do que um bom ataque.

(Para a dor dos rubro-negros baianos, Nadson começa sim a mostrar sua cara, começa já a fazer diferença no time. Assim também o desconhecido e cabeça boa Jael [que não é Jardel, em hipótese alguma])

Se continuar nesse ritmo, pode-se dizer que há mesmo uma real chance de o tricolor sobreviver, viver tranquilo e sem temores no seu habitat natural da 2ª Divisão. Basta que mantenha a lógica invertida que falei há pouco e quase não haverão guarda-roupas preenchidos por muito tempo com as três cores do clube baiano. Eis que a naftalina já disputa espaço com o gás carbônico, o lixo e o peculiar cheiro de esgoto de nossa cidade.

Roger, o Tupãzinho Rubro-Negro.

Quando menino sonhava ser jogador de futebol. E como reconheço que nunca fui muito certo da cabeça, nunca tive como referência os craques de minha época. Eu sonhava ser o Tupãzinho. Óbvio que àquela época eu já detestava o Corinthians – esse desprezo pelos populares vem de longa data –, porém, paradoxalmente, eu amava o talismã do Parque São Jorge.

Aquilo me causava um enorme constrangimento porque sempre que assistia o Timão pela TV minha torcida era sempre pelo time adversário. Ainda mais quando o Timão já estava perdendo. Mas, à beira do fim do jogo, eis que surge Tupãzinho. E contido – vibrando por dentro – esquecia o ódio, torcia para ver o rapaz deixar a sua marca, o gol salvador no final da partida.

E foi bem a minha reação diante do empate entre Vitória e Cruzeiro, no Barradão. Ainda que quieto admito que tive ligeiro surto de alegria ao ver a bola de Roger explodindo na trave e beijando a rede, dando ao rubro-negro o vitorioso empate quando já parecia tudo perdido. O Vitória dessa partida lembrou-me o Bahia de décadas atrás, o que foi a pauta da conversa entre dois amigos meus que constatavam que hoje o Vitória, diferente do que era de costume, corre atrás do resultado, não entrega facilmente os pontos.

Por mais que tenha livrado seu time da vexatória derrota, convenhamos que nada de novo há para contar, o rapaz é ruim de bola, consegue ter, inabalável, o título de atacante mais vezes impedido no campeonato e disputa com Nonato – o tal ídolo tricolor – quem perde mais gols numa partida.

Roger tem cadeira cativa no banco de reservas. E, neste caso, não vem a ser medida drástica nem prejudicial ao rapaz. Apenas creio que seu futebol tende a surtir melhor efeito quanto menos tempo ele tenha de permanecer em campo, ou seja, para as situações de risco, faltando 15 minutos para acabar o jogo, coloque-se Roger em campo, e logo diminuirá o seu vergonhoso recorde de impedimentos, logo as chances de se colocar a bola dentro do gol tornam-se maiores e reais, já que será na pressão do pouquíssimo tempo restante que fará de Roger a estrela, o talismã rubro-negro.

A explosão de Roger ao espetar um chute pretensioso perto de entrar nos acréscimos fora algo fora do comum, do que comumente se vê o atacante fazer durante as partidas. Decidido a não sofrer tal derrota em casa, Roger foi o nome do jogo. E é esta pretensão que creio que ele passará a ter quando sentado e relaxado no banco de reservas.