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segunda-feira, 14 de março de 2016

E caiu a máscara tricolor.



Pior do que ser conduzido por uma mentira é inventar falsas verdades no intuito de revidar a ilusão a que esteve submetido. Considerar que há, de fato, antagonismo entre PT e PSDB serve apenas para ratificar as respectivas forças, pois, ambos só existem se se mantiverem em seus papéis, como se fossem inimigos políticos. Essa a mentira que fomentamos nas manifestações de rua e nas redes sociais. O torcedor do Bahia, em sua maioria, consegue as duas façanhas: ao ser conduzido pela mentira de dez triunfos consecutivos, inventou, para si, a ilusão de que estava diante de uma equipe qualificada. Até pegar o Vitória.

A torcida – que carregou Lomba nos ombros em sua volta à cidade e que transformou Feijão no grande ídolo da equipe (sim, o rapaz é aplaudido a cada passe de 2 metros que consegue efetivar) –, ontem, sofreu a fatal desilusão: o adversário, que nem é lá grande coisa, tem um conjunto mais bem encorpado (tenta sempre prezar pelo toque de bola), bem diferente do Bahia que, frente a uma equipe mais arrumada, mostrou sua verdadeira face: um bando em campo.

Passo a passo, bem didático, para fácil entendimento: o goleiro Marcelo Lomba, que falhou no segundo gol porque está sempre adiantado, não deveria ter voltado ao clube; o retorno de Feijão nem merece comentários mais elaborados (embora, devamos reconhecer o esforço do rapaz, mas o fato de o mesmo ser torcedor do Bahia não é motivo suficiente para usar a camisa 5, pois, também sou torcedor e nem por isso estou em campo); o que são os laterais do Bahia?; a permanência do péssimo zagueiro Gustavo; quem disse a Paulo Roberto que ele é jogador de futebol?; do meio para a frente, não há substituto para Hernane; Zé Roberto e Rômulo já deveriam ser emprestados a equipes menores; e, por último (e não menos trágico), a contratação de  Doriva, projeto de técnico que não abre mão do defasado esquema tático com volante cão de guarda.

Com essas peças à disposição, à torcida do Bahia, muito pouco íntima a análises racionais (exatamente por causa da paixão avassaladora que sofre pelo clube), restou acreditar na vistosa campanha invicta – e por isso lotou o estádio confiante de que venceria o arquirrival – e saiu do estádio surpreendida por ter visto seu time tomar gols e não conseguir o mínimo gesto de reação convincente.


Talvez, depois de mais uma derrota no clássico, o vexame do amistoso internacional contra o Orlando City entre nas, outrora fictícias, estatísticas do torcedor, agora, desiludido (já não serão álibi a longa viagem e o cansaço acumulado). Mas o vexame de ontem – que não chegou a ser numérico por muito pouco – trouxe a chance de fazer a torcida começar a entender e enxergar que a máscara caiu, e que quem tem culpa nessa grande farsa que é o Bahia atende pelo nome de Marcelo Sant’Ana.