A infame frase de que “futebol não tem lógica” não tem lógica alguma, não faz o mínimo sentido, não condiz com a realidade pelo simples fato de que futebol tem lógica sim. Apenas tenho sido tolerante com os místicos da bola porque vez ou outra – talvez por causa do alinhamento dos planetas, ou por causa da sincronia dos astros –, em pontuais momentos, a lógica, realmente, desaparece das quatro linhas e tamanho é o encanto que, sem cerimônias, dou boas-vindas à magia, digo sim ao misticismo.No jogo desta noite, contra o Goiás, providencial e divino, eis que surge Obina, gigante, monstruoso, destruindo em campo: 3 gols e elegantemente um passe de calcanhar para outro gol na partida, ou seja, 3 gols e meio para o Obina, Palmeiras 4 a 0 no alviverde do Cerrado.
Partindo do imprescindível aparato racional, motivos de sobra haviam para se acreditar que não seria jogo fácil, já que o Porco vem de uma série de resultados muito ruins, a ponto de permitir que o perigoso São Paulo se aproxime, sentindo o leve sabor da ponta da tabela. Como se não bastasse, mesmo, a priori, ao ouvir o nome Obina na escalação dos titulares, honestamente, pela lógica, não faria diferença alguma.
Obina, com tão impecável e avassaladora apresentação, além de dar ao seu time oxigênio a mais, sem sair do 1º lugar, traz de volta a auto-estima ao Palestra Itália, incentivando o grupo para as poucas e decisivas rodadas que ainda faltam para levar o título.
O que se viu em irrisórios 90 minutos – um desfile no toque de bola, frieza incomum para fazer gols – não tem, não pode ter relação alguma com este planeta, inverte a gravidade do ar, desfaz a teoria da relatividade. Tanta categoria num só Obina, em tão curto espaço de tempo, serve para ratificar a ideia de que para toda regra uma exceção.
Porque creio que deve estar cada coisa em seu lugar – cada um no seu quadrado –, façamos uma campanha para que o redondo Ronaldo (que há algum tempo só assusta dono de churrascaria de rodízio) passe o famoso e, hoje, descabido apelido para o divino, providencial Obina, este sim um Fenômeno. Obina escapa à lógica.






